Com a chegada do inverno, é quase automático: tiramos roupas do armário, fechamos mais as janelas, ligamos o aquecedor. E, sem perceber, criamos um ambiente perfeito para algo que muitos preferiam esquecer — a crise de asma.
O frio não traz só o vento gelado e o céu cinzento: ele pode ser um gatilho poderoso para quem tem as vias respiratórias sensíveis. E mesmo sabendo disso, ainda é comum a asma ser negligenciada — por falta de informação, acompanhamento ou mesmo porque os sintomas parecem “controláveis”.
Você sabia que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking mundial da asma? Estima-se que 10% da população brasileira sofra com a doença, e só em 2023 foram mais de 400 mil internações. Esses números impressionam, mas ainda assim, a asma é frequentemente subdiagnosticada e subtratada.
No frio, o ar seco e gelado resseca as vias aéreas e estimula a produção de muco. Para quem já convive com a inflamação crônica dos brônquios, isso pode ser o início de uma crise séria — com chiado, falta de ar, tosse persistente e sensação de aperto no peito.
Além disso, passamos mais tempo em ambientes fechados, aumentando a exposição a alérgenos como ácaros, pelos de animais e poeira. Tudo isso combinado vira o “combo perfeito” para acionar os sintomas.
A maioria das pessoas com asma tem também algum tipo de alergia. Isso explica por que uma simples mudança de estação, ou até uma blusa guardada há meses, pode desencadear uma crise.
Mas tem como evitar esse cenário — e viver o inverno com mais tranquilidade.
Alguns cuidados simples já fazem uma grande diferença:
- Mantenha o ambiente limpo e arejado (mesmo no frio, abra as janelas todos os dias);
- Evite tapetes, cortinas e bichos de pelúcia, que acumulam poeira;
- Use roupas limpas e bem armazenadas — de preferência, lavadas antes do uso;
- Evite o contato com pessoas gripadas ou resfriadas;
- Tenha sua vacinação em dia (gripe e pneumonia, principalmente);
- Use corretamente sua medicação de controle, mesmo quando os sintomas não aparecem.
A asma é uma doença crônica. Isso significa que, mesmo quando você está se sentindo bem, o tratamento precisa continuar. A inflamação nos brônquios está lá, silenciosa, esperando um gatilho — e o inverno é cheio deles.
Além do acompanhamento médico, estar bem informado e entender o próprio corpo é fundamental. Por isso, iniciativas que unem ciência, saúde e empatia fazem toda a diferença.
O IPC está conduzindo um estudo clínico com foco em pessoas que vivem com asma. Se você já foi diagnosticado com a doença, essa é uma chance de contribuir com a ciência e ainda receber acompanhamento especializado.
Participar de um estudo como esse pode ser o próximo passo para controlar sua saúde de forma mais eficaz — e ajudar a construir um futuro com menos crises e mais qualidade de vida.
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